Fundação Padre Albino
Eric Ribeiro 28/10/2026

Quase três em cada dez crianças e adolescentes avaliados em escolas brasileiras apresentam hipertensão arterial, condição frequentemente associada à população adulta. O dado faz parte de um levantamento do projeto Brasil Coração Saudável, que analisou a saúde de mais de 6 mil estudantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Segundo os resultados, 28,3% dos participantes foram classificados com hipertensão e outros 11,6% com pré-hipertensão. Os números chamam a atenção não apenas pela frequência de alterações na pressão arterial, mas também pela associação com o excesso de peso, identificado em aproximadamente um terço dos estudantes.
Segundo a médica cardiologista do Padre Albino Saúde/PAS, Thais Paim, esses índices estão atrelados ao estilo de vida moderna dos jovens. “Esses números são preocupantes porque mostram que a hipertensão arterial não é uma condição exclusiva dos adultos e já está presente na infância e na adolescência. O sedentarismo, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, e o excesso de peso estão entre os fatores que contribuem para esse cenário. Quando a pressão arterial permanece elevada e não é identificada e controlada, pode provocar alterações nos vasos sanguíneos e sobrecarregar o coração ao longo dos anos, aumentando o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais. Isso significa que, sem mudanças nos hábitos e acompanhamento adequado, esses jovens podem desenvolver complicações cardiovasculares muito mais cedo”, alerta.
O levantamento do projeto Brasil Coração Saudável também identificou outros indicadores relacionados ao estilo de vida. A pesquisa apontou que 33,1% dos estudantes apresentavam excesso de peso, sendo 19,5% com sobrepeso e 13,6% com obesidade, incluindo casos graves. Além disso, 59% passavam pelo menos três horas por dia diante de telas fora do ambiente escolar, enquanto 66,1% dos que praticavam atividades físicas na escola dedicavam apenas uma a duas horas semanais a essas práticas. O estudo ainda identificou que 17,4% apresentavam relação cintura/altura superior a 0,5, indicador associado ao acúmulo de gordura abdominal, e que aproximadamente um em cada oito estudantes relatou níveis intensos ou exagerados de estresse em casa e na escola.
Para Dra. Thais, essas porcentagens reforçam a necessidade de pais e responsáveis incentivarem hábitos saudáveis desde os primeiros momentos da infância. “Uma coisa acaba levando à outra. O excesso de peso aumenta o risco de pressão arterial elevada, e, quando esses fatores se mantêm ao longo dos anos, as consequências para a saúde cardiovascular podem aparecer cada vez mais cedo. Por isso, reitero que é preciso estar atento à rotina dos filhos, não apenas em relação à alimentação, mas também ao sedentarismo e ao tempo excessivo diante de celulares, computadores, observar comportamentos compulsivos alimentares e, nesses casos, buscar ajuda profissional. No mais, incentivar brincadeiras ao ar livre, atividades esportivas e refeições mais saudáveis em família faz toda a diferença”, ressalta.
Foto: Divulgação PAS/PEXELS
A FUNDAÇÃO
UNIDADES