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Alan Gazola 22/04/2026

A abordagem ganhou relevância após a Lei nº 14.198/2021, que proíbe testes de cosméticos em animais quando existem alternativas disponíveis.
Grupo de alunos e pesquisadores do curso de Medicina da Unifipa/Fameca publicaram artigo na revista científica britânica Alternatives to Laboratory Animals, referência mundial na área de métodos substitutivos ao uso de animais em experimentos. O artigo "The use of skin explants in Brazil: A scoping review of applications, methodologies and research trends" — Alternatives to Laboratory Animals (IF 3,1), na tradução “O uso de explantes de pele no Brasil: uma revisão de escopo de aplicações, metodologias e tendências de pesquisa”, é o primeiro a mapear sistematicamente a produção científica brasileira sobre o uso de fragmentos de pele humana como ferramenta de pesquisa laboratorial.
O aluno Henrique Marchesim (foto), primeiro autor e diretor discente do grupo de pesquisa explica que “tecidos removidos em procedimentos como abdominoplastia ou redução de mama são normalmente descartados. Mantidos em condições controladas, esses fragmentos preservam sua estrutura original e permitem estudar doenças, testar cosméticos e avaliar cicatrização sem o uso de animais — técnica conhecida como modelo hOSEC (Human Organotypic Skin Explant Culture)”.
A abordagem ganhou relevância após a Lei nº 14.198/2021, que proíbe testes de cosméticos em animais quando existem alternativas disponíveis.
Os autores da pesquisa são os alunos Henrique Marchesim, Wilson Falco Neto, Bruna Cardoso Moscatel, Heloísa Coca Angélico, Lívia Betteri Machiori, Eduardo Cavallini, integrantes do ‘PSR FAMECA’, grupo de pesquisa em cirurgia plástica do curso de Medicina, dedicado a projetos em epidemiologia, ciência básica e inovação cirúrgica, com a participação dos docentes Ana Paula Girol, Pedro Henrique Soubhia Sanches e Sara de Souza Costa.
A equipe analisou 16 estudos brasileiros publicados entre 2007 e 2024, identificando cinco frentes de aplicação: doenças como melanoma e psoríase, envelhecimento cutâneo, testes cosméticos, cicatrização e refinamento das próprias técnicas de cultura. O levantamento revelou concentração de 75% das pesquisas no Sudeste e ausência de protocolos padronizados entre os laboratórios — fator que compromete a reprodutibilidade dos resultados. "Não existia nenhum panorama organizado sobre como esse modelo vinha sendo utilizado no Brasil. Nosso objetivo foi preencher essa lacuna e mostrar que a padronização é essencial para que mais pesquisadores adotem essa alternativa ética", afirma Henrique Marchesim.
O grupo ressalta o apoio de professores da Unifipa e do chefe clínico do departamento de cirurgia Plástica dos hospitais da Fundação Padre Albino, Dr. Pedro Sanches, na elaboração do estudo.
“O artigo aponta caminhos para expandir a prática no país: protocolos padronizados, redes de colaboração inter-regionais e aplicação em áreas ainda pouco exploradas, como tratamento de queimaduras e medicina personalizada”, diz a docente Profa. Dra. Ana Paula Girol.
Fotos/Divulgação
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