Fundação Padre Albino Hospital Padre Albino
Eric Ribeiro 24/02/2026

Quando a despedida acontece de forma inesperada, especialmente em situações trágicas, o impacto emocional costuma ser ainda mais intenso. Além da dor da ausência, surgem sentimentos como choque, incredulidade e até dificuldade de aceitar o que aconteceu.
Segundo a psicóloga do Hospital Padre Albino, Aline Paião, esse tipo de luto pode ser mais complexo porque a pessoa não teve tempo de se preparar para a perda. “Em casos de tragédia é comum que o primeiro sentimento seja de anestesia emocional. Muitas pessoas relatam que parece não ser real. Esse mecanismo é uma forma de proteção da mente diante de algo muito difícil de assimilar. Raiva, culpa e questionamentos como ‘por que aconteceu?’ costumam surgir com frequência. É importante validar esses sentimentos. Eles fazem parte do processo e não devem ser reprimidos”, explica.
Além disso para enfrentar esse desenlace repentino, o apoio da família, dos amigos e da comunidade se torna ainda mais essencial. Ter com quem conversar, compartilhar lembranças e dividir a dor ajuda a reduzir a sensação de isolamento, comum após perdas traumáticas.
A psicóloga lembra que a busca por ajuda profissional ganha ainda mais relevância quando o luto está associado a uma tragédia. “O acompanhamento psicológico pode ajudar a organizar pensamentos, trabalhar sentimentos intensos e prevenir que o sofrimento evolua para um quadro mais grave”, afirma. Sinais como pesadelos frequentes, medo constante, dificuldade de retomar a rotina e sofrimento que não diminui com o tempo indicam a necessidade de atenção especializada. Aline Paião também reforça que não existe tempo certo para ‘superar’ uma perda, especialmente quando ela acontece de forma abrupta. O mais importante é que a pessoa não enfrente esse momento sozinha. Com acolhimento, escuta e, quando necessário, acompanhamento profissional, é possível atravessar o luto com mais suporte e cuidado emocional.
Foto: Divulgação FPA
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