Fundação Padre Albino Venerável Padre Albino FPA - 100 Anos
Eric Ribeiro 24/06/2026

Na sua homilia na Missa em Ação de Graças pelos 100 anos da Fundação Padre Albino, na Matriz de São Domingos, neste domingo, 21 de junho, padre Fábio Pagotto Cordeiro, abordando a mensagem do Evangelho "Não tenhais medo", recordou a trajetória e a coragem do Venerável Padre Albino, que acreditou mais "na graça de Deus do que nos próprios limites e por isso realizou o que parecia impossível".
Leia a homilia na íntegra:
Centenário Fundação Padre Albino
Caros Pe. Sylvio, Pe. Synval
senhores membros do Conselho de Curadores,
diretores, colaboradores
e voluntários da Fundação Padre Albino,
meus irmãos e minhas irmãs,
Neste dia em que celebramos o centenário do início da obra que deu origem à Fundação Padre Albino, a Palavra de Deus nos oferece uma mensagem particularmente providencial:
“Não tenhais medo.”
Jeremias é perseguido.
São Paulo fala da luta entre o pecado e a graça.
E Jesus, por três vezes, diz aos discípulos:
“Não tenhais medo.”
O medo sempre rodeia
aqueles que desejam fazer a vontade de Deus.
Foi assim com Jeremias.
Foi assim com os Apóstolos.
Foi assim com tantos santos.
E foi assim também com o Venerável Padre Albino.
Quando olhamos para a grandeza de sua obra,
corremos o risco de esquecer o homem que existia por trás dela.
Lembremos:
Padre Albino não chegou a Catanduva com recursos,
prestígio ou segurança humana.
Chegou como um sacerdote exilado,
obrigado a deixar sua terra natal
por causa da perseguição religiosa em Portugal.
Humanamente falando, havia muitos motivos para ter medo.
Mas ele acreditou mais na Providência de Deus
do que nas dificuldades.
Acreditou mais na graça de Deus do que nos próprios limites.
Acreditou mais no Evangelho do que nas circunstâncias.
E por isso realizou aquilo que parecia impossível.
É interessante notar que neste ano celebramos
o centenário do início da Santa Casa de Misericórdia,
hoje Hospital Padre Albino,
semente da qual brotou toda a Fundação Padre Albino.
E quase ao mesmo tempo
concluíam-se também as obras desta Igreja Matriz,
onde hoje repousam os seus restos mortais.
Não são dois fatos isolados.
São duas faces de uma mesma espiritualidade.
Padre Albino compreendia
que não existe separação entre o altar e a caridade.
Da Eucaristia nasce o amor ao próximo.
E o amor ao próximo conduz novamente ao altar.
A Missa não termina quando saímos da igreja.
Ela continua quando visitamos um doente.
Quando ajudamos um necessitado.
Quando consolamos alguém que sofre.
Quando colocamos nossos dons a serviço dos irmãos.
Por isso, a maior obra de Padre Albino não foi um prédio.
Não foi um hospital.
Não foi uma faculdade ou uma escola.
Não foi uma instituição.
Sua maior obra foi ter deixado Cristo agir através dele.
Porque prédios podem ser construídos por engenheiros.
Instituições podem ser organizadas por administradores.
Mas somente um coração verdadeiramente unido a Deus
consegue transformar estruturas
em instrumentos de caridade, cuidado e evangelização.
Por isso, ao celebrarmos estes cem anos,
não estamos apenas recordando um passado bonito.
Estamos diante de uma pergunta muito atual:
O que faremos nós com a herança espiritual que recebemos?
A tentação é pensar
que a santidade de Padre Albino pertence a outro tempo.
Que suas obras pertencem a pessoas extraordinárias.
Que nós somos apenas admiradores.
Mas o Evangelho não nos permite ficar apenas admirando.
O Evangelho nos chama a continuar.
A melhor homenagem que podemos prestar
ao Venerável Padre Albino não é admirá-lo, mas imitá-lo.
Pelo Batismo, todos nós recebemos a mesma missão fundamental:
confessar Cristo diante dos homens.
Não necessariamente construindo hospitais.
Não necessariamente fundando obras grandiosas.
Mas vivendo a santidade nas pequenas coisas de cada dia.
Na família.
No trabalho.
Na comunidade.
Na vida profissional.
No serviço pastoral.
Na atenção aos pobres.
Na fidelidade à oração.
Na honestidade.
Na caridade concreta.
A grande pergunta que o Venerável Padre Albino nos faz hoje é esta:
“O que Deus pode realizar através de você, se você não tiver medo?”
Ele foi um homem que não teve medo de recomeçar em outro país.
Não teve medo de pedir ajuda.
Não teve medo de sonhar.
Não teve medo de servir.
Não teve medo de gastar a própria vida pelos outros.
E por isso Deus fez maravilhas através dele.
O mesmo Senhor continua agindo hoje.
Talvez não nos peça grandes obras.
Mas certamente nos pede um grande amor.
No final da vida, Padre Albino desejava ser lembrado
não por seus bens, conquistas ou obras.
Queria morrer, segundo suas próprias palavras,
“sem dinheiro, sem bens, sem dívidas e sem pecado.”
E nisso está a verdadeira medida da sua grandeza.
Porque, diante de Deus, não seremos julgados pelo que possuímos.
Seremos julgados pelo amor.
E o Venerável Padre Albino compreendeu isso profundamente.
Ao celebrarmos esta Eucaristia,
peçamos a graça de acolher o mesmo ideal
que animou o coração do Venerável Padre Albino:
uma fé que não permanece apenas dentro da igreja;
uma fé que se transforma em serviço;
uma fé que gera caridade;
uma fé que não tem medo.
Que sua memória, guardada nesta Matriz
e viva nas obras que continuam servindo tantas pessoas,
desperte em nós o desejo de viver com generosidade
o nosso próprio chamado à santidade.
E que um dia também se possa dizer de nós
aquilo que hoje admiramos nele:
que fomos discípulos de Jesus,
e que gastamos a vida por amor a Deus e aos irmãos.
Venerável Padre Albino, rogai por nós!
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