Fundação Padre Albino Hospital Emílio Carlos
Eric Ribeiro 12/05/2026

Envelhecer com qualidade de vida é desejo comum e cuidar da saúde do coração faz parte desse processo. Após os 60 anos o organismo passa por mudanças naturais que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias, insuficiência cardíaca e infarto. Segundo a American Heart Association, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo e a idade é um dos principais fatores de risco para alterações do coração e da circulação.
Segundo o cardiologista do Hospital Emílio Carlos, Dr. Edson Sinhorini, com o passar dos anos as artérias tendem a perder elasticidade, favorecendo o aumento da pressão arterial. “O músculo cardíaco pode se tornar mais rígido, dificultando o relaxamento do coração entre os batimentos, enquanto alterações no sistema elétrico cardíaco aumentam o risco de arritmias, especialmente a fibrilação atrial. De acordo com estudos do National Institute on Aging, essas mudanças ocorrem de forma gradual e variam bastante entre as pessoas. Idosos fisicamente ativos e com controle adequado da pressão arterial, diabetes e colesterol frequentemente apresentam melhor função cardiovascular e menor risco de complicações. O acompanhamento cardiológico deve fazer parte da rotina de cuidados. Isso inclui exames, como eletrocardiograma, ecocardiograma, monitorização cardíaca (Holter), testes funcionais e exames laboratoriais, sempre de acordo com a necessidade de cada paciente”, destaca.
Ainda segundo o cardiologista, um dos principais desafios é que muitos sintomas cardíacos podem surgir de forma discreta nos idosos e acabam sendo atribuídos apenas ao avanço da idade. “Cansaço excessivo, perda de disposição, falta de ar aos esforços, tontura, palpitações, inchaço nas pernas ou redução da capacidade para realizar atividades simples do dia a dia merecem atenção e avaliação médica. Além disso, pessoas com algumas condições de saúde ou fatores de risco precisam redobrar os cuidados com o coração, especialmente quem tem hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, histórico familiar de doenças cardíacas, além de pessoas sedentárias ou fumantes”, ressalta.
Para melhorar a saúde cardiovascular a prática regular de atividade física é uma das medidas mais eficazes para preservar a saúde na terceira idade. Além de ajudar no controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, o exercício melhora o equilíbrio, a força muscular, a capacidade funcional e a qualidade de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), idosos fisicamente ativos apresentam menor risco de doenças cardiovasculares, quedas, perda de autonomia e declínio cognitivo. Estudos mostram que a prática regular de exercícios pode reduzir em cerca de 20% a 30% o risco de mortalidade cardiovascular quando comparada ao sedentarismo.
É importante lembrar que, antes de iniciar atividades físicas, é necessário avaliação médica individualizada, principalmente em pacientes sedentários ou com doenças já conhecidas. Exercícios leves e moderados costumam ser os mais recomendados, como caminhada, hidroginástica, bicicleta ergométrica e atividades de fortalecimento muscular e equilíbrio. A Sociedade Brasileira de Cardiologia também reforça que o controle adequado da pressão arterial pode reduzir em até 35% o risco de AVC e em cerca de 20% a 25% o risco de infarto. O abandono do cigarro, considerado um dos principais fatores de risco evitáveis, mesmo após os 60 anos, também reduz significativamente o risco cardiovascular e melhora a qualidade de vida.
Foto: Divulgação FPA/IA
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