Fundação Padre Albino Hospital Padre Albino
Eric Ribeiro 06/03/2026

A dor menstrual intensa ainda é frequentemente tratada como algo esperado na vida das mulheres. Essa naturalização contribui para que a endometriose, condição inflamatória crônica que pode comprometer diferentes órgãos da pelve, leve anos para ser diagnosticada. Muitas pacientes passam por consultórios, pronto atendimentos e emergências antes de receber orientação adequada. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Endometriose e Cirurgia Minimamente Invasiva, a enfermidade afeta cerca de 15% das mulheres brasileiras e pode causar dores intensas além de infertilidade.
De acordo com a médica Mariana Magri, da área de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Padre Albino, é fundamental que as mulheres estejam atentas aos sinais que o corpo apresenta. “A cólica menstrual leve ou moderada pode ocorrer em muitas mulheres, mas quando a dor é intensa, incapacitante, ou quando surgem sintomas como dor na relação sexual, alterações intestinais ou urinárias durante o período menstrual, é importante procurar avaliação médica. Em muitos casos, a dor se torna progressiva ao longo do tempo e passa a interferir diretamente nas atividades do dia a dia, provocando faltas ao trabalho ou à escola e comprometendo a qualidade de vida. Esses sinais podem indicar a presença de endometriose e precisam ser investigados”, explica.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora dele, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da região pélvica. Esse tecido responde às alterações hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação, dor e, em alguns casos, formação de aderências e lesões mais profundas. Embora as causas exatas ainda não sejam totalmente compreendidas, fatores genéticos, hormonais e imunológicos estão entre os principais elementos associados ao desenvolvimento da doença.
Segundo a ginecologista, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e reduzir as chances de agravamento. “Quando não tratada adequadamente, a endometriose pode evoluir, causar dor crônica, formação de aderências e comprometer a fertilidade para aquelas mulheres que sonham com a maternidade. Atualmente, exames como a ultrassonografia com mapeamento para endometriose e a ressonância magnética com protocolos direcionados permitem identificar a extensão da doença e auxiliar no planejamento do tratamento. Nos últimos anos, o avanço na padronização desses exames e na integração entre equipes médicas tem contribuído para diagnósticos mais precisos”, afirma.
O tratamento da doença varia conforme a intensidade dos sintomas, a extensão das lesões e os planos reprodutivos da paciente. Em muitos casos, a abordagem clínica é suficiente e inclui medicamentos para controle da dor, terapias hormonais, fisioterapia pélvica e mudanças no estilo de vida, como prática de atividade física e acompanhamento nutricional. Essas estratégias ajudam a reduzir a inflamação e controlar a progressão da doença. Quando há lesões profundas, comprometimento de órgãos ou falha no tratamento clínico pode ser indicada cirurgia minimamente invasiva, realizada por equipe especializada. Atualmente, o cuidado com a endometriose tende a ser multidisciplinar, envolvendo ginecologistas, radiologistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde, com decisões compartilhadas e acompanhamento contínuo.
Foto: Divulgação FPA
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