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Semana da Psicologia da Unifipa debate violência e abuso sexual infantil

 Alan Gazola     29/08/2025

Evento acadêmico continua com palestras e debates sobre o tema central: “Psicologia em movimento: ética, tecnologia e novos cenários”.

A segunda noite da Semana da Psicologia da Unifipa trouxe à tona tema delicado e de extrema relevância social: “Violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes”. O encontro reuniu alunos dos cursos de Psicologia e Direito da instituição, estudantes de outras universidades, além de profissionais da psicologia e da área social.

A convidada especial da noite foi a Profa. Dra. Andreza Marques de Castro Leão, docente permanente do Programa de Pós-graduação em Educação Sexual da Unesp/Araraquara e pesquisadora nível II do CNPq.
Em sua palestra, a pesquisadora destacou que a violência sexual infantil, em muitos casos, é invisível. “A violência sexual infantil geralmente não deixa marcas físicas; por isso é mais difícil de ser percebida”, alertou.
Ela explicou que a violência pode se manifestar em duas esferas: abuso sexual – com ou sem contato físico – e exploração sexual. Chamou ainda a atenção para práticas comuns no ambiente familiar que podem aumentar a vulnerabilidade das crianças. “Pais e familiares têm o hábito de beijar na boca de seus filhos. Isso torna a criança 40% mais vulnerável a aceitar um ato abusivo por outra pessoa, por considerar esse ato dos pais como normal.”

Segundo a professora, os abusadores podem estar presentes nas esferas intrafamiliar, institucional e extrafamiliar, sendo que a maioria dos casos ocorre dentro de casa ou em locais próximos à residência da vítima. “Pesquisa da Secretaria de Segurança Pública mostra que 72,2% dos abusos acontecem na casa onde reside a vítima ou nas redondezas e 85% dos abusos são cometidos por conhecidos”, ressaltou.
O vínculo afetivo e de dependência com os agressores dificulta a denúncia e a quebra do silêncio. “O medo de ser castigada faz com que a violência seja mantida em segredo. Os abusadores usam frases factuais para garantir o isolamento e a dependência da criança, como ‘Seus pais não ligam para você; eu sim me importo’ ou ‘Não conte aos seus amigos sobre nós; eles ficariam com ciúmes’.”

Para a pesquisadora é fundamental que pais, educadores e profissionais da saúde estejam atentos a sinais físicos, comportamentais e cognitivos que possam indicar abuso. “A criança precisa aprender que não importa quem seja: pediu segredo e tocou em seu corpo, isso não é legal. Para a educação infantil é preciso reforçar os três Rs: reconhecer um abusador, recusar qualquer coisa que venha de estranhos e recorrer a alguém de confiança.”

Integração das esferas públicas - Na sequência, ocorreu a mesa-redonda “Olhares que cuidam – enfrentando a violência infantil com ações integradas”, que reuniu a assistente social Melina Borges da Silva, a advogada e docente Profa. Dra. Ana Paula Polacchini e a psicóloga judiciária Mariana Alves Porto, sob mediação do professor Ricardo Gasolla.
Durante o debate os participantes ressaltaram a necessidade de atuação conjunta entre diferentes áreas de proteção social. Melina Borges destacou o trabalho realizado com famílias em projetos sociais, enfatizando o papel dos pais na identificação de sinais de abuso. A professora Ana Paula Polacchini reforçou que a Justiça tem o dever de enfrentar e judicializar os casos, sem desconsiderar a necessidade de recondicionamento psicológico dos agressores. Já Mariana Porto salientou a contribuição da psicologia na esfera judicial, oferecendo subsídios técnicos que assegurem a proteção integral da criança.
O mediador Ricardo Gasolla concluiu que o enfrentamento da violência sexual infantil deve ser compreendido como compromisso ético e político, que exige união entre profissionais e instituições.

A Semana Acadêmica de Psicologia da Unifipa continua com palestras e debates sobre o tema central: “Psicologia em movimento: ética, tecnologia e novos cenários”. O encerramento acontece no sábado, dia 30, com o curso livre “Introdução à Psicologia Criminal”, ministrado por Josué Alves, psicólogo criminal e especialista em Psicologia Investigativa.

Fotos: Comunicação FPA 


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